29/11/08

"Não há receitas milagrosas mesmo em Fátima"




Dois arquitectos, o professor Leonel Fadigas e Inês Marrazes analisaram o urbanismo vigente em Fátima e detectaram que os bons exemplos estão na zona que foi requalificada recentemente “Eu que não sou de Fátima consigo dizer que há mobilidade em todos os espaços à volta do Santuário”, afirmou Inês Marrazes na terceira edição das “Tertúlias no museu”.

Há sinalética, passadeiras rebaixadas, “estão lá cumpridas todas as normas de mobilidade”, acrescenta referindo-se às ruas João Paulo II e Cónego Manuel Formigão, alvo de uma intervenção de requalificação e abertas de novo à circulação em Maio de 2008.“O pior é se me afastar alguns metros”, refere ainda a arquitecta.

Também Leonel Fadigas exemplificou a dificuldade de se deslocar na cidade, apontando como exemplo uma visita recente que fez com o neto de cinco anos, à cidade mariana. Os passeios são estreitos, quando os há, e são muitas vezes invadidos pelo automóvel. A cidade não se encontra ainda acessível a todos, por exemplo, pessoas de cadeiras de rodas ou com mobilidade reduzida, como idosos.

Em Fátima é “urgente reconciliar a cidade e os seus espaços com as pessoas”, defende Inês Marrazes que isso não deve ser feito apenas a pensar nas pessoas que vêm cá, mas dos que vivem cá. “Não estamos na cidade. Estamos num aglomerado urbano de oito mil habitantes que recebe por ano cinco milhões”, salientou o professor de arquitectura da Universidade Técnica à centena de pessoas que participaram nesta tertúlia que decorreu ontem, 28 de Novembro, no Museu de Arte Sacra e Etnologia de Fátima.

É uma cidade “onde se chega de carro e se anda a pé. E onde chegam muitos milhões para andar a pé”, afirmou o arquitecto. Leonel Fadigas preferiu não comentar o Plano de pormenor para a zona envolvente ao Santuário de Fátima e que inclui o rebaixamento da avenida D. José Alves Correia da Silva, mas adianta que “não” foi feito um estudo de tráfego a pensar nas acessibilidades e mobilidade de pessoas e automóveis na cidade.
Lucília Oliveira

07/11/08

Museu de Arte Sacra e Etnologia recebe alunos do CEF




Durante a semana de 3 a 7 de Novembro todas as turmas do 8.º ano da disciplina de História do Centro de Estudos de Fátima (CEF) visitaram o Museu de Arte Sacra e Etnologia .

As professoras Teresa Reis e Carla Albernaz, docentes que há mais de uma década organizam a visita a este espaço museológico, consideram-no importante para a transmissão de conhecimentos e de valores, «-os alunos têm a possibilidade de conhecer outras culturas e religiões, aprendendo a respeitar a diferença. O Museu tem uma temática que se enquadra perfeitamente num dos pontos do programa da disciplina de História do 8.º ano, Os Descobrimentos portugueses e o encontro de culturas - refere Teresa Reis.» Acrescenta ainda que: «- Com os materiais pedagógicos que o museu oferece, a visita torna-se mais agradável aos alunos, permitindo a sua concentração e interesse. Há que tirar partido daquilo que está perto da escola com qualidade!».

Através do contacto directo entre os docentes e o Serviço Educativo do Museu, são preparados vários recursos pedagógicos de acordo com os objectivos que se pretendem ser atingidos pelos alunos. Assim, os alunos visualizam um breve documentário sobre os Índios Yanomami do Brasil que retrata o seu quotidiano, a sua cultura e a actividade dos Missionários da Consolata junto deste povo da floresta.

Segue-se depois a resolução das questões de um guião de visita entregue a cada aluno e um pequeno debate sobre o tema apresentado. Após este momento os alunos visitam as várias salas da exposição permanente através de vários exercícios de memória visual, sendo dado maior ênfase às temáticas dos Descobrimentos portugueses e à etnologia, matéria que estão a estudar.

Um exemplo feliz de interligação escola e museu que começa a ser comum, recebendo o Museu de Arte Sacra e Etnologia cada vez mais contactos para este tipo de parcerias.